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Viver ou Morrer? Tanto Faz!

Não sei se todo mundo faz isso, mas eu me questiono quase que diariamente que motivos eu tenho pra continuar vivendo. Depois de ver 13 Reasons Why, essa prática se mostrou ainda mais importante, pois põe em discussão a questão do suicídio. Praticamente não ouvimos falar sobre este assunto, não se mostram reportagens e nem as pessoas que o comentem na TV, jornal ou internet. Mas o que eu gostaria de falar não é exatamente sobre suicídio. 
Em 2009, eu fazia curso técnico de manhã e terceiro ano à noite. Era uma sexta-feira, eu deveria estar estudando, mas naquele dia não houve aula, então fiquei feliz por poder dormir até tarde. Mas eu acordei cedo, era a polícia. Arma apontada pra minha cabeça. Eu não sabia direito que tava acontecendo, porque eu demoro algum tempo pra “acordar” de fato. Mas a polícia já tava dentro de casa.
Eu sentei no sofá enquanto eles vasculhavam minha casa, minhas coisas. Gavetas, roupeiro, cama, armários, geladeira, enfim, tudo. Eu não sabia o que eles queriam …
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Piquenique das Cores e o Medo do Novo

Recentemente, fui pego de surpresa pela repercussão de uma simples atividade, um piquenique. Não sei ao certo o que as pessoas que criticaram pensaram sobre a atividade, mas houve uma grande resistência, o que provocou manifestações de ódio e apoio. O tema do piquenique é a luta contra LGBTfobia e pela visibilidade LGBT, uma pauta da juventude e dever do Poder Público, e que compõe a II Quinzena Estadual de Combate à LGBTfobia.


Antes mesmo de nascer, o médico já define nosso sexo,  segundo nossa genitália, recebemos um nome e, desde então, somos moldados conforme os costumes da nossa família e sociedade. Poderíamos viver tranquilamente o resto da vida, acreditando ser o que nos ensinaram a ser. Entretanto, algumas pessoas fogem do condicionamento e passam a duvidar de sua identidade, de sua construção social, e o conceito de "certo" e "errado", sobre seu corpo e sexualidade, cai por terra.
Todas essas mudanças causam desconforto, pois nos tiram da zona segura …

Traí Gilmar

Não tinha mais como segurar e tive que cortar cabelo. Trair Gilmar. Um ambiente bem simples. Quase tudo era do século passado. Tinha até um relógio com bordas de madeira. Tudo meio improvisado. E o que me chamou mais atenção foram algumas gambiarras, por exemplo: a cuba da pia era um balde. Nossa geração não está acostumada a consertar as coisas. É mais prático jogar fora e comprar um novo. Muitas vezes, o preço do conserto é quase o de comprar um novo.
A idade já era avançada. Acho que cheirava a tabaco. Tinha uma barriga saliente, às vezes, encostava no meu braço. Não tenho certeza se era só a barriga. Confesso que senti medo. Deixar um estranho deslizar uma navalha sobre sua carótida não é uma decisão fácil. Mais uma vez a tal da mudança querendo me intimidar. Deixei ele fazer o serviço. Acabou fazendo minha barba também. Fiquei preocupado, pois sou alérgico à lâminas de aço.

Ele usou até tesoura pra cortar meu cabelo. Gilmar nunca usava tesoura. Só máquina. Ele não pode saber que…

"Mamãe Pintou Meu Cabelo!"

Quando eu tava no terceiro ano do ensino médio, minha turma organizou uma visita ao Jequitibá Rosa, maior árvore nativa da mata atlântica brasileira. Acredita-se que o de Barra do Triunfo, em João Neiva, seja o maior do mundo. No dado passeio acabamos tirando muitas fotos. Até aquele momento eu costumava sair bem sério nas fotos, mas uma amiga conseguiu capturar um momento de muita alegria. Naquele dia, eu percebi que meu sorriso era bonito e passei a sorrir mais nas fotos. Havia descoberto que eu poderia ser bonito também.


Quando era criança, sempre via os cabelos lisos e até ondulados dos coleguinhas, e queria que o meu fosse igual. Minha mãe sempre fazia questão de cortar nossos cabelos com frequência. Quando eu chegava no barbeiro, ele sempre falava "seu cabelo tá curto ainda". Mas não tinha jeito, quando sua mãe manda fazer alguma coisa, é melhor obedecer. O curta Cores e Botas, de Juliana Vicente, expressa bem o que eu quero dizer. O que mais me dava raiva, era quando…

Homens Nunca Serão Feministas

Outro dia, conversando com uma amiga na mesa de um bar, entramos no assunto feminismo, em que muitas informações incoerentes são propagadas por mídias digitais afora, como o fato de feministas não se depilarem ou usarem o cabelo curto. Ora, se o feminismo veio para libertar as mulheres, elas que decidam se querem se depilar ou não, se querem cortar seu cabelo, usar saia, vestido ou roupa curta. Parece bem óbvio e até ridículo ter que explicar isso, mas a quantidade de piadas e de gente propagando estes rótulos é absurdamente alta.


Acredita-se que o patriarcado tenha se iniciado no período Neolítico (entre 12 mil e 4 mil a.C.), o que nos faz perceber como o machismo esta enraizado, presente desde a formação da nossa sociedade. A luta pelos direitos das mulheres, de igualdade em relação ao homem, que ganhou força nas última décadas é demasiadamente recente. Práticas machistas já estão inclusas em nosso cotidiano desde nosso nascimento, e são consideradas normais. Piadas. Abusos. Estup…

Nada Será Como Antes

Era um ano novo. Havia planos de passar com amigos em Vitória, mas acabei indo pra praia do interior mesmo. Quando era criança, ficava ansioso pelo verão. Quando colocávamos sunga de praia, aquele cheirinho de protetor, guarda-sol. Mas a imagem que mais me fascinava era quando nos aproximávamos da praia. Então, no horizonte, o mar ia se pintando de verde-água. Eu ficava fascinado. A cada passo, o mar aumentava. Parecia me engolir. Às vezes, tinha impressão de que ele sussurrava meu nome, como quem diz “esperei o ano todo só pra te ver, meu anjinho”. 

Depois, era o momento de pisar na areia. Areia quente. Queimava os pés se você não desse pulinhos em direção à sombra mais próxima. Não importava se queimava. Era gostoso. Às vezes, a dor leva ao prazer. Isso se este for maior. Sem fazer nenhuma cerimônia, corríamos em direção ao mar. Ele me correspondia presenteando-me com ondas mais suaves. Uma espuminha pra fazer cócegas. Mas tinha algo naquela relação que me incomodava. Era a areia n…

A Closeira do Maternal

Era mais um domingo e, como todo domingo, íamos à casa da minha avó. Ela fazia doces maravilhosos, entre eles o meu favorito que era cocada. Um ritual de infância, eu tinha meus 3 ou 4 anos. Lembro-me que nessa época comecei a frequentar o maternal. Logo no primeiro dia, eu fui super empolgado, de mãos dadas com mamãe, até o portão da escolinha. De repente, ela solta minha mão e fala pra eu entrar. Não só falou, como também me obrigou!
Naquele momento, eu percebi que teria que me virar sozinho. Não fiquei nem um pouco feliz. Colocaram-nos num refeitório, sentados à mesa. Deram-nos uma bola, dessas de soprar, pra ficar segurando. As crianças seguraram as bolas, meio que sem saber o que tava acontecendo. Nessa altura eu já estava chorando rios e cachoeiras. Quando me entregam minha bola eu já fui logo estourando. Olhei para o lado e estourei a bola do colega. Olhei para o outro para estourar a dele também, mas já tentavam me conter.
Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii 7 (meu ga…