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O Verão Mais Frio de Minha Vida

(Imagem: Arquivo Pessoal)

Daqui a alguns dias, faz três anos que minha mãe morreu. De lá pra cá minha vida mudou bastante, eu mudei bastante. Numa terça-feira, mais um dia normal, cheguei da faculdade cansado e com dor de cabeça. Já passava das 23h. Minha mãe já dormia. Geralmente, ela acordava e perguntava se queria que esquentasse a janta. Eu geralmente respondia que não. Naquela noite, como de costume, ela deixou um potinho com biscoitos numa mesinha em frente ao meu quarto, não dei confiança. Naquela noite, fiquei com medo de passar mal, então deixei a porta do quarto semiaberta. Na manhã seguinte, percebi que o pote de biscoitos estava ao lado da minha cama.

Acordei com meu celular tocando. Era meu primo dizendo que minha mãe tinha passado mal e que estava no hospital. Não dei muita importância, pois ela era cardíaca e hipertensa, então isso era normal. Uma segunda ligação e me pediram pra levar os medicamentos dela ao hospital para o médico analisar. Achei estranho, mas decidi levantar e ir. Quando estava saindo de casa, em frente ao portão, uma vizinha chega desesperado e me diz "Higor, você não sabe o que aconteceu?" e eu respondi "sim, já sei".

No hospital, havia muita gente pra ser atendida, então pensei "vou demorar horrores pra ser atendido", mas quando falei com a recepcionista, ela logo me mandou entrar. Achei muito estranho, mas até aí tudo bem. A enfermeira pediu que eu esperasse em uma sala até o médico chegar. Ok! Isto estava realmente estranho, em minha mente "será que minha mãe morreu" , "não pode ser, isso coisa de minha cabeça", "e se ela morreu?", enquanto mexia nas coisas da sala. Comecei a folhear um livro grosso de medicina. Em seguida, me levaram para outra sala, pronto! Eu fui mostrando os medicamentos que minha mãe tomava e perguntando se precisava de mais alguma coisa, o médico deu uma olhada rápida.

Em seguida, veio aquela coisa de filme "sua mãe chegou aqui em um estado grave, fizemos de tudo, mas ela não resistiu". Apoiei a cabeça entre os braços e comecei a chorar e - aquela coisa de filme - a perguntar pro acaso o porquê daquilo. Mas o choro só durou alguns segundos, de repente, meu desespero foi embora, e fiquei em silêncio por alguns segundos. Levantei-me, o médico perguntou "esta tudo bem?", eu ironicamente "tudo ótimo". Um amigo me ligou e eu falei que minha mãe tinha acabado de morrer, ele não acreditou e riu da minha cara. Ed nunca muda. 

Minha mãe teve um ataque cardíaco enquanto trabalhava, mais precisamente... fritando linguiça, ela usava uma roupa medonha, então fui em casa escolher algo melhor. Foram mais de 24h até o enterro, muitos abraços, consolos, choro, perguntas, ajuda, e - por que não? - risos. Corri atrás do carro de som, pra pedir que parasse de anunciar o velório, não era festa pra ser anunciado. Rasquei o livro de assinaturas. Achei que fosse pirar. Vi meus amigos, família, colegas de faculdade e professores me apoiando. Fiquei aliviado quando tudo acabou. Fim de semestre na faculdade. Então veio o verão.

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