Pular para o conteúdo principal

Desmotivacional 2016

Imagem: Tumblr

O ano mal começou e minha vida sofreu uma reviravolta. Como aqueles escritores de novela, quando estão perdendo audiência, daí eles começam a mexer na trama toda, matam personagens, desmascaram vilões, muita correria, babado e confusão. Não aconteceu nada disso comigo, mas as coisas mudaram e tive que me adaptar. Só não pirei porque sempre tive amigos de fé, irmãos e camaradas!
 
Relembrando um pouquinho o passado. Assim que minha mãe se foi, eu fiquei morando na casa de minha família, sozinho, por duas semanas. Até que liguei pro meu pai e falei que iria me mudar. Uma amiga me indicou uma senhora que alugava quartos. Fui sem pensar duas vezes. Naquele dia meu pai disse que não poderia me ajudar, pois estava chovendo muito na cidade que ele morava. Então liguei para um táxi, nem dinheiro eu tinha, fiquei de pagar depois, só tinha o dinheiro contado para pagar o aluguel.

Não tinha malas, então eu coloquei tudo em enormes sacos de lixo. Definitivamente, não foi a maneira mais elegante de me mudar, mas não tava muito preocupado com isso naquela hora. Os sacos era pretos. Horríveis. Eu já havia mudado de casa antes, mas aquela era a primeira vez em que eu tomava a decisão, sozinho. Depois da mudança, passei vários dias querendo voltar pra antiga casa. Mas aquela casa já não me cabia mais. Nem nada que tinha nela era meu mais.

Depois de algum tempo mudando, não só de casa, escola, emprego, pensamentos ou de roupas, você percebe que tudo é aprendizado. Tudo é aprendizado. Ouvi isto num ônibus qualquer. A decisão de deixar os fones de ouvido um pouco de lado e prestar atenção na conversa alheia até que foi boa. Claro que, às vezes, você acaba ouvindo "baladinha top" por aí, mas vale a pena.

Como tudo isso, eu aprendi que nada é eterno e o futuro também não é certo. A gente gasta mó tempão fazendo planos... pra no fim, a vida escolher por si só. Não estou exatamente onde imaginava, mas posso dizer que estou bem, estou feliz e que tenho os melhores amigos do mundo. Uma boa amizade e camaradagem valem por uma família inteira. Não substitui a falta dos que já se foram, mas preenchem outros espaços tão especiais quanto os deles.

Postagens mais visitadas deste blog

Piquenique das Cores e o Medo do Novo

Recentemente, fui pego de surpresa pela repercussão de uma simples atividade, um piquenique. Não sei ao certo o que as pessoas que criticaram pensaram sobre a atividade, mas houve uma grande resistência, o que provocou manifestações de ódio e apoio. O tema do piquenique é a luta contra LGBTfobia e pela visibilidade LGBT, uma pauta da juventude e dever do Poder Público, e que compõe a II Quinzena Estadual de Combate à LGBTfobia.


Antes mesmo de nascer, o médico já define nosso sexo,  segundo nossa genitália, recebemos um nome e, desde então, somos moldados conforme os costumes da nossa família e sociedade. Poderíamos viver tranquilamente o resto da vida, acreditando ser o que nos ensinaram a ser. Entretanto, algumas pessoas fogem do condicionamento e passam a duvidar de sua identidade, de sua construção social, e o conceito de "certo" e "errado", sobre seu corpo e sexualidade, cai por terra.
Todas essas mudanças causam desconforto, pois nos tiram da zona segura …

Eu Queria Ser Um Monstro

Há um ano, uma amiga me oferecia batom e eu não aceitava. Eu disse “não, obrigado”. Não era um simples “não” de quando te oferecem vodca, sendo que você não bebe, ou quando você “dá um fora” em alguém nada interessante na balada. Foi um “não” seguido de um “por quê não?” que ecoava mentalmente pelos dias seguintes.
Logo quando tive que morar sozinho, houve mudanças. Não só mudanças físicas, como também psicológicas. Passei a comer praticamente de tudo. A ouvir outros estilos musicais. Experimentar, beijar, chupar, tocar, engolir, gritar, soprar, raspar, esfregar, vomitar, perder o fôlego, cair, levantar, apoiar, cantar, gravar, filmar, pausar e silenciar.
(Fotografia: Lisandra Mendes - "A Beleza da Diversidade", 2017)
Ao poucos, fui me permitindo mudar, usar batom, pintar as unhas e a comprar roupas consideradas femininas. Eu faço isso porque eu acredito que as coisas não deveriam ser separadas dessa forma. Quero ter a liberdade de experimentar e descobrir quem eu sou. Eu ta…

Aquela Sobre Aquela Do Verão

Todo ano, tenho que contar nos dedos quanto tempo faz que minha mãe morreu. Daqui há alguns dias já faz seis anos. Achei engraçado reler um texto em que relatava os acontecimentos do dia em que ela se foi. Não lembrava mais dos detalhes. Aos poucos, um borrão branco vai sendo criado no lugar das lembranças. Pensando bem, foi até uma boa ter escrito aquele texto.

De fato, muita coisa mudou. Não julgo ser ruim, é algo natural da vida. Tudo muda, as músicas, a política, a cultura, as tecnologias, e principalmente as pessoas mudam. O verão veio e foi diferente também. Comecei em uma nova casa, longe o suficiente para não pirar com as pessoas tentando me reconfortar, mas não tão longe a ponto de estar longe da família e amigos.
Acreditei que poderia passar o resto da vida comendo fast-food, mas logo percebi que não dava. Morando em uma espécie de república, aprendi a cozinhar com os outros moradores. Comecei com arroz, depois veio o feijão, que me dava um pouco de medo, por causa da panel…