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Redescobrir

Claro que eu gostaria que não existissem gêneros, porém ignorá-los significa desconsiderar as desigualdades (sociais, econômicas, políticas, entre outras) que existem entre eles. É notório que, na sociedade, a mulher sempre está em desvantagem em relação ao homem. Quando você nasce e um médico já define o seu sexo, você é ensinado a ser um homem ou mulher. Se for menina, já sai do hospital com orelha furada e um enxoval rosa.

Como a gente vive numa sociedade cheia de regras e imposições, que ditam um comportamento masculino e outro feminino, eu sou “obrigado” a definir um certo comportamento ou objeto como sendo do universo masculino ou feminino. Como eu disse, eu gostaria que não houvesse essa separação, mas infelizmente há.

O que eu proponho, não é necessariamente redescobrir meu gênero ou sexualidade. Quero justamente dizer que qualquer homem cis ou não, heterossexual ou não, pode fazer o mesmo, sem que isso afete a forma como ele se vê ou se relacione afetivamente e sexualmente com outras pessoas. Porque eu estou, a princípio, tratando somente da aparência física, a forma como eu me apresento à sociedade.

É claro que isto gera muitos efeitos, muitas pessoas gostam, outras não. Não me importo. Às vezes, quem não gosta me incomoda menos do que quem gosta. Porque as pessoas se empolgam demais e me fazem sentir um ET. O lado bom é que ganho muitos acessórios, batons e brinco. Sinceramente, eu acho que esta é uma experiência que todo mundo deveria passar. No começo eu precisei criar um personagem, mas agora eu sinto que posso ser eu mesmo, o Higor.

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(Fotografia: Lisandra Mendes - "A Beleza da Diversidade", 2017)
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