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Risqué

Desde que comecei a usar brincos, pintar minhas unhas, passar batom e me apropriar de tudo que é considerado feminino, algo estranho aconteceu. Eu acabei descobrindo minha masculinidade. Claro que quando falo de masculino e feminino, digo na forma padrão, como a sociedade constrói em nossas mentes. Um mulher de cabelos longos, maquiada, magra, de vestido ou saia, roupas rosa e feminina. Embora não seja este tipo de mensagem que quero passar, experimentar esta forma tornou-se importante para mim, contrapondo o padrão masculino em que fui construído.

("A beleza da diversidade" de Lisandra Mendes)

Desde pequeno, sou condicionado a não ser afeminado. Passei pelo bullying em família, na escola, faculdade, no grupo de amigos e, enfim, decidi “cagar” pra tudo isso. Não é algo fácil e nem tão simples. O que chamamos de “desconstrução” é um processo lento e delicado. Mas ele nos permite questionar coisas que nos foram impostas. Daí nasce a oportunidade de se apropriar do que antes eram produtos apenas do universo considerado feminino. Algumas pessoas me questionam se eu sou uma mulher trans ou uma travesti, na verdade, eu não sei, por enquanto não.

Como eu já disse, o que eu quero é a liberdade de transitar entre o masculino e feminino, sem me preocupar em dar pinta, ser afeminado, sem policiar meu comportamento. Acredito que estou indo bem. Algumas pessoas se empolgaram tanto com minha atitude que agora me cobram andar “arrumada”. Só que não é todo dia que acordo disposto. Também não quero me obrigar a passar batom ou fazer unha todo dia, até porque a sociedade não é o que podemos chamar de tolerante. O importante é que eu me sinto bem e em paz comigo mesmo.

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(Fotografia: Lisandra Mendes - "A Beleza da Diversidade", 2017)
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