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Estalo

Houve um tempo em que eu me preocupava muito sobre o que diziam de mim, primeiro porque eu frequentava a igreja e depois porque eu tinha um irmão que era o diabo em forma de gente. Eu já falei sobre ele no texto “No Embalo da Cocaína”, nós éramos completamente opostos. Com toda essa bagunça, eu acabei absorvendo a responsabilidade de mostrar pra sociedade de que minha mãe não havia nos criado errado. Que não era culpa da minha família ou falta de surra, mas, infelizmente, essa era a conversa que rondava. Quando você tem algum usuário de drogas na família, as pessoas querem culpar alguém. Geralmente é a mãe.

Depois de perder os dois, eu percebi que não importava o que eu fizesse, eles não iriam voltar. E as pessoas, na maioria das vezes, falam as coisas da boca pra fora. Quando meu irmão morreu, eu fui pra escola na semana seguinte. Durante a aula um colega de classe, que provavelmente não sabia que era meu irmão, falou em alto e bom som “tinham que matar mesmo!”. Minha única reação f…
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Depois das 18h

Aquele momento de autopiedade quando você precisa de um carinho, um abraço. Se desse pra voltar no tempo, voltar a ser criança. Quando, numa queda, você começava a chorar e corria gritando “mamãe!”. Então, ela te abraçaria, passaria um remédio laranja que ardia, e ficaria tudo bem. Em meia hora, já estaria correndo novamente. Mas a vida adulta não é assim. As pessoas te machucam e você não tem pra onde correr.

Você tem que sair muito cedo para o trabalho e chega em casa muito tarde. Por mais cansativo que tenha sido seu dia, ninguém vai te perguntar como ele foi. Você abre a porta, coloca comida pro seu gato, tira a roupa, toma um banho. Talvez tenha energia pra cozinhar ou talvez só coma um sanduíche. Ligar o computador, ler e-mails, responder mensagens. Tudo online e à distância.
Percebe que uma ou duas plantas morreram. Será que foi falta de água? Ou será que foi água demais? Talvez faltou adubo. Ou talvez faltou podá-la. Isso mesmo. Pra crescer mais, ficar mais forte ou dar mais …

Hoje Não!

A vida é complicada. Admiro cada um que levantou da cama e encarou esse dia. Também admiro os que não levantaram, afinal, não é todo dia que estamos dispostos. Muitos problemas ou apenas o ócio. Tristeza. Depressão. Ansiedade. Melancolia. Alguns perderam pessoas importantes. Já não bastasse a dor da perda, existe a dor de como essa perda aconteceu. Assassinato. Suicídio. Tortura. Acidente. Viver não é para amadores.
Foto: Bekoo das Pretas / Luara Monteiro Que no mundo existem pessoas "más", disso todo mundo já sabe. Mas a impressão que eu sempre tive era que a maioria das pessoas eram "boas". Mas, parando pra pensar, se isso fosse verdade, o discurso de ódio não seria tão potente, o preconceito, a violência psicológica e verbal, o racismo e a lgbtfobia não existiriam. Talvez seja por isso que políticos com discurso de ódio sejam tão populares.
Vejo pessoas vivendo de aparência. Escondendo-se em religiões. Volta e meia vejo comparações de "antes e depois" …

Drogados, Pretos, Putas e Viados

Assim como muitas drogas são proibidas, no Brasil, precisamos lembrar que o álcool já foi proibido nos anos 20, nos EUA. O objetivo era acabar com a violência e a pobreza relacionada ao consumo excessivo de álcool. O resultado foi desastroso, criando uma verdadeira máfia do álcool, e, agora, damos o mesmo “murro em ponta de faca”.Fica claro que existe o interesse de uma minoria, que lucra milhões, com a produção e tráfico de drogas, em manter esta proibição, marginalizando seus usuários. Afinal, é muito mais fácil proibir o uso, condenar o usuário, do que resolver os problemas sociais que os levam a dependência.
Al Capone, gangster e traficante de bebidas alcoólicas durante a Lei Seca, nos anos 20, nos EUA, me contou que sempre foi contra a legalização e a favor da família.
Vivemos em uma sociedade hipócrita, em que as pessoas usam todo tipo de medicamento, consomem álcool até perder a consciência, fumam cigarros, charutos; só dormem com seu Rivotril, tomam calmantes que os deixam bem…

Aquela da Beesha Preta Terrorista

bixa estranha
louca, preta, da favela
quando ela tá passado
todos riem da cara dela, mas
se liga macho, presta muita atenção
SENTA E OBSERVA A TUA DESTRUIÇÃO!


Os versos são de Linn da Quebrada. Pra quem não a conhece, podem chamá-la de “bixa preta terrorista”. Quebrando tabus e utilizando seu corpo e a música como uma forma de contestação, desde 2016, ela faz um terrorismo com os versos. E é bom ver que temos pessoas na mídia que conseguem nos representar. Isto se chama visibilidade.

Queremos destruir o homem. Não é uma destruição no sentido de jogar uma bomba ou dar um tiro em alguém. Nem jogar praga ou destruir famílias. Queremos a destruição do homem que, de geração em geração, oprime, desemprega, exclui, agride, xinga, esfaqueia, rasga, queima e mata cada uma de nós. Todos os dias. O Brasil é o país que mais mata travesti no mundo. 
A bixa preta ainda tem o racismo para encarar. As manas têm o machismo. Não tá fácil. Mas calma. Errado é homem andar de mão dada com outro homem, ou mulh…

Aquela Sobre Aquela Do Verão

Todo ano, tenho que contar nos dedos quanto tempo faz que minha mãe morreu. Daqui há alguns dias já faz seis anos. Achei engraçado reler um texto em que relatava os acontecimentos do dia em que ela se foi. Não lembrava mais dos detalhes. Aos poucos, um borrão branco vai sendo criado no lugar das lembranças. Pensando bem, foi até uma boa ter escrito aquele texto.

De fato, muita coisa mudou. Não julgo ser ruim, é algo natural da vida. Tudo muda, as músicas, a política, a cultura, as tecnologias, e principalmente as pessoas mudam. O verão veio e foi diferente também. Comecei em uma nova casa, longe o suficiente para não pirar com as pessoas tentando me reconfortar, mas não tão longe a ponto de estar longe da família e amigos.
Acreditei que poderia passar o resto da vida comendo fast-food, mas logo percebi que não dava. Morando em uma espécie de república, aprendi a cozinhar com os outros moradores. Comecei com arroz, depois veio o feijão, que me dava um pouco de medo, por causa da panel…

Coletivo "é nóis" Realiza Festival de Pipas

O Coletivo “é nóis” realizará, nos meses de agosto e setembro, o projeto “Voa, Poesia!”, que pretende reunir crianças, jovens e adultos, em oficinas de desenho, poesia, confecção de pipas, sarau e exposição. O objetivo é oferecer ações comunitárias com o intuito de fomentar e democratizar o acesso às diferentes manifestações artísticas, promovendo o entretenimento artístico, cultural e educativo.

A equipe do Coletivo “é nóis” é composta por Higor Costa, proponente e coordenador; Rick Rodrigues, oficineiro de desenho e confecção de pipas; Bárbara Girelli, oficineira de poesia e contação de história; e Júnior Luis Paulo, fotógrafo e designer. O Coletivo atua em João Neiva e surgiu com o intuito de intensificar ações culturais no Município e, principalmente, no Bairro Crubixá, onde reside o oficineiro e artista plástico Rick Rodrigues.
O evento será realizado em parceria com o Espaço de Leitura Confabulando, com o Projeto JHJ e com a Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Juventude …

Expediente

Agência cheia, todos nos seus lugares, menos ele. Na mesa uma foto de Berlim. Fez a cobertura durante uma semana de um festival de pipas. Nos primeiros 4 dias ficou em um hotel de luxo, oferecido pelo festival. Nos outros dias, ficou numa espelunca bancada pela agência. Nem conexão com a internet tinha. Todo dia era a mesma coisa, metrô lotado, trem lotado, ônibus lotado. Só comia fast-food. Às vezes, não comia. Sentia-se magro demais. Culpa do restaurante novo, comida barata e nada saudável. Sua mãe dizia que aquilo era comida de cadeia.


Uma ligação. Sua avó tinha morrido. Pro interior, em um ônibus mais confortável, sua cabeça parecia se desprender. Um flash. Quando descobriu sua sexualidade, ela tinha sido a primeira a saber. Deu apoio e não contou pra ninguém da família. Família de descendência alemã. Porém nada Frei (livre). O celular vibrou, uma mensagem "se cuida, amor". Reclinou o assento, olhou pro céu, tornou-se imenso.

Poucos de preto, nada de filme americano. O si…

O Caso dos Limões

Estou aqui procurando uma sacola de lixo, preciso jogar fora esses limões. Eu poderia ter usado eles semana passada, quando uns amigos vieram aqui em casa. Poderíamos ter feito alguns drinks. Mas eu achei melhor guardar pra uma ocasião especial, afinal são mais caros que os sicilianos. Agora estão secos, apodrecidos e sem utilidade nenhuma. Talvez ainda sirvam como adubo, talvez eu os jogue no quintal.
("A beleza da diversidade" de Lisandra Mendes)
Quando eu penso em quintal, eu lembro daquela casa, de quando eu tinha 13 anos. Tinha um grande quintal e tínhamos um pé de acerola. Tinha cachorro, tinha céu estrelado, quando eu conseguia dormir com a janela aberta. Quando acreditava na bondade das pessoas e não tinha medo da maldade do mundo. O que resta agora? Viver trancafiado em um apartamento? Parece que quanto mais a gente cresce, mais sem graça vai ficando a vida.
Vivemos como se fossemos imortais. Desperdiçando nossos dias com coisas tão pequenas. Ou talvez sonhando tão…

Redescobrir

Claro que eu gostaria que não existissem gêneros, porém ignorá-los significa desconsiderar as desigualdades (sociais, econômicas, políticas, entre outras) que existem entre eles. É notório que, na sociedade, a mulher sempre está em desvantagem em relação ao homem. Quando você nasce e um médico já define o seu sexo, você é ensinado a ser um homem ou mulher. Se for menina, já sai do hospital com orelha furada e um enxoval rosa.

Como a gente vive numa sociedade cheia de regras e imposições, que ditam um comportamento masculino e outro feminino, eu sou “obrigado” a definir um certo comportamento ou objeto como sendo do universo masculino ou feminino. Como eu disse, eu gostaria que não houvesse essa separação, mas infelizmente há.
O que eu proponho, não é necessariamente redescobrir meu gênero ou sexualidade. Quero justamente dizer que qualquer homem cis ou não, heterossexual ou não, pode fazer o mesmo, sem que isso afete a forma como ele se vê ou se relacione afetivamente e sexualmente com…