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Crônica: O fruto do conhecimento

No começo era apenas uma árvore. Ninguém sabia dizer de onde tinha vindo, talvez de algum passarinho com alguma semente em seu bico. Era uma árvore especial, mas as pessoas daquele povoado só descobririam isso, pois um garotinho muito curioso acabava de nascer.

Iluminado pela estrela Alfa, ele nascera à noite, era um menino, 2.5 kg, pequeno e chorão! Seu nome, Miguel, sua mãe escolheu porque era dia de São Miguel, 29 de setembro. Miguelito, como seus amigos o chamavam, gostava de correr pelo campo, no fim de tarde, procurava novos bichos e plantas. Sonhava em ser biólogo e viver com os animais.

Certo dia, estava Miguel vasculhando as plantas, enfiando-se entre os arbustos, subindo em árvores, quando, de repente, avista uma árvore diferente. Com sua lupa, desnecessária, por causa das dimensões da árvore, tentava decifrar que fruto era aquele que tal árvore produzira. Era meio oval, peludinho, de cor caramelo e de sabor... bom, ele ainda não sabia o sabor.

Num piscar de olhos, Miguel já trepava entre os galhos da árvore, que deveria ter lá seus 3 ou 4 metros de altura, e estava louco para provar do fruto. Ele tinha um brilho singular, apesar da penugem, o quê atiçava as papilas gustativas da língua de Miguel. Era de dar água na boca! Miguel não se conteve e foi logo metendo seus dentes, com um sorriso cheio de janelinhas, para provar aquela maravilha.

Crack! Seu sorriso se fez em careta. A vontade era de gritar, e foi o que ele fez. “Aaaaaaaaaaaaaiiiiii, carambolas!”. A fruta tinha uma semente enorme. Mas a vontade de provar a fruta não tinha passado. Miguel novamente põe-se a comer, agora, com mais cautela. Tinha um sabor não muito agradável. Na verdade, era meio amargo. Mas, naquele momento, algo mágico tinha acontecido. Como se tudo a sua volta tivesse ganhado um brilho especial.

Miguel, agora, via o mundo de outra maneira. De uma forma MÁGICA! Miguel ainda não sabia, mas aquela era a árvore do conhecimento infinito. Depois do ocorrido, a cidade inteira já estava provando do fruto de gosto amargo que fazia as coisas brilharem. Eles acabaram percebendo que alguns começaram a entender questões complexas, como o por quê de estarmos vivo, como se valorizar, outros apenas se calavam e aproveitavam o momento, mas em alguns não acontecia nada. Tinha gente que se desesperava e saia correndo, uns tentaram se matar, choravam e sempre havia quem não sentiam diferença. 

Miguel encabulado foi até a pessoa mais velha que ele conhecia, o vô Gilberto. Vô explicou para ele que para ele que o conhecimento era algo que se multiplicava, como cada fruto daquela árvore. Alguns plantam, outros o descartam. Alguns se permitem o autoconhecimento e são felizes com isso. Outros se desesperam e preferem viver em um mundo de ilusão. O que o fruto dava não era realmente o conhecimento, era apenas uma OPORTUNIDADE de aprender. Conhecimento de verdade, só se aprende buscando!

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