Pular para o conteúdo principal

No Embalo da Cocaína

(Imagem: Arquivo Pessoal)

Eu sempre gostei de acordar tarde, mas, infelizmente, eu quase sempre estudei de manhã. No primeiro ano do ensino médio, eu pude estudar à tarde. Era uma manhã comum, eu dormia na parte de cima de uma beliche. Acordei ouvindo uma discussão. Era minha mãe dando uma bronca no meu irmão, perguntando o porquê dele ter feito aquilo. Meu irmão dizia que estava trazendo droga pra cidade, daí ele viu a polícia e jogou tudo num rio.

No começo, a gente não acredita que um irmão ou um filho esteja envolvido com drogas. Depois que você aceita que a pessoa esta envolvida, você pensa "mas ele só vende, não usa". Até minha mãe aceitar este fato, levou bastante tempo. Bom, com o tempo as coisas foram mudando. Meus pais trabalhavam o dia todo, minha mãe só chegava depois das 15h e meu pai à noite. Eu nunca fui de brincar na rua, já meu irmão não saía de lá.

A primeira vez que vi meu irmão mexendo com aquilo, ele estava embalando um pó branco em papelotes. Ele e uns amigos. Todos tossiam. Eu não sabia o que era, mas também senti vontade de tossir. Resolvi ir pra escola mais cedo. Ele também fazia pipas, ele era bom nisso. Sempre aparecia alguém lá em casa, chamando "Dudu!", para para comprar pipa, trocar figurinha ou para sair. Ele sempre foi o mais popular e mais simpático. Na família, ele era mais querido, já que eu sempre fiquei na minha.

Com o tempo, as pessoas que chamavam por Dudu foram mudando. Não eram mais pra comprar pipa. Gente estranha, eu tinha medo. Ele falava para eu dizer que ele não estava. Às vezes, não tinha jeito, ele ia atender. Quando ele voltava, estava meio sujo e machucado. Para fugir disso, comecei a ir pra escola mais cedo, mas as aulas não começam cedo. Foi, então que passei a frequentar a biblioteca até dar o horário da aula. Na biblioteca tomei gosto pela leitura. E assim foi meu primeiro ano no ensino médio.

Postagens mais visitadas deste blog

Viver ou Morrer? Tanto Faz!

Não sei se todo mundo faz isso, mas eu me questiono quase que diariamente que motivos eu tenho pra continuar vivendo. Depois de ver 13 Reasons Why, essa prática se mostrou ainda mais importante, pois põe em discussão a questão do suicídio. Praticamente não ouvimos falar sobre este assunto, não se mostram reportagens e nem as pessoas que o comentem na TV, jornal ou internet. Mas o que eu gostaria de falar não é exatamente sobre suicídio. 
Em 2009, eu fazia curso técnico de manhã e terceiro ano à noite. Era uma sexta-feira, eu deveria estar estudando, mas naquele dia não houve aula, então fiquei feliz por poder dormir até tarde. Mas eu acordei cedo, era a polícia. Arma apontada pra minha cabeça. Eu não sabia direito que tava acontecendo, porque eu demoro algum tempo pra “acordar” de fato. Mas a polícia já tava dentro de casa.
Eu sentei no sofá enquanto eles vasculhavam minha casa, minhas coisas. Gavetas, roupeiro, cama, armários, geladeira, enfim, tudo. Eu não sabia o que eles queriam …

Um Dia de Artista

(Foto: TV Globo/Programa do Jô
Um das coisas mais legais que eu já fiz na vida... foi ter ido ao Programa do Jô, com Glecy Coutinho como entrevistada, é claro! A ideia surgiu da própria Glecy, no final de 2012. Lembro-me que estávamos encerrando nossas atividades na Secretaria de Cultura, organizando prestação de contas, quando Glecy falou que gostaria de participar do Programa do Jô. Glecy é Glecy!
Uns quatro meses, depois de enviado o texto, eles me ligam. Eu estava na faculdade e fiquei sem reação, não acreditava que isso aconteceria tão rápido. Depois de vários emails trocados, enviaram as passagens pra gente, eu fui de acompanhante. Foi a primeira vez que andei de avião. Todo mundo olhou pra gente, quando nos aproximamos do cara com a plaquinha da Globo. Éramos artistas. Bom, Glecy já era fazia tempo.

Drogados, Pretos, Putas e Viados

Assim como muitas drogas são proibidas, no Brasil, precisamos lembrar que o álcool já foi proibido nos anos 20, nos EUA. O objetivo era acabar com a violência e a pobreza relacionada ao consumo excessivo de álcool. O resultado foi desastroso, criando uma verdadeira máfia do álcool, e, agora, damos o mesmo “murro em ponta de faca”.Fica claro que existe o interesse de uma minoria, que lucra milhões, com a produção e tráfico de drogas, em manter esta proibição, marginalizando seus usuários. Afinal, é muito mais fácil proibir o uso, condenar o usuário, do que resolver os problemas sociais que os levam a dependência.
Al Capone, gangster e traficante de bebidas alcoólicas durante a Lei Seca, nos anos 20, nos EUA, me contou que sempre foi contra a legalização e a favor da família.
Vivemos em uma sociedade hipócrita, em que as pessoas usam todo tipo de medicamento, consomem álcool até perder a consciência, fumam cigarros, charutos; só dormem com seu Rivotril, tomam calmantes que os deixam bem…