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Só porque eu vim da roça!

Fui pra roça, um dia desses, e percebi como as coisas lá são mais simples. Não apenas pela ausência de tecnologia, até porque lá tem quase tudo que a gente precisa. Bom, digo "quase", pois já me acostumei com toda minha parafernália, não só as tecnológicas, mas também a parte cultural - danceteria. Mas não foi só a roça que me ensinou algumas coisas, a vida tem me dado pequenas lições que acho válido compartilhar.

(Imagem: Arquivo pessoal)

A simplicidade da roça vai desde as roupas simples, até o estilo de vida menos corrido, porém, não menos esforçado. A fala simples, sem muita firula, nada de linguagem formal, ninguém corrigindo seu português ou a pronúncia correta do inglês. Bebidas artesanais. Capelete. Fogão a lenha. Vacas. Trator. Cheiro de bosta fresca misturado com mato molhado.

Aprendi que não vale a pena discutir com todo mundo. Algumas pessoas simplesmente não estão dispostas a mudar de opinião. Desconsideram fatos, provas, pesquisas e evidências. Não gastarei mais meu tempo em discussões em vão. Pensando bem, eu só mudei de opinião quando me dispus a isso. Por que seria diferente com os outros?

Anotar, programar e planejar. Anotar para não esquecer. Programar aquela viagem ou a balada. Planejar a vida financeira, os estudos e carreira profissional.

Desencanar. Libertar-se de tudo o que te prende. Você sobreviverá.

Perder o controle. Você não precisa fazer todo o trabalho sozinho, com medo das coisas fugirem das suas rédeas - mais uma coisa de roça. Pode ser que dê tudo errado.Pode ser que não fique bom. Tão bom quanto se fosse você. Tudo bem. Esqueça a frase "Se quer algo bem feito, faça você mesmo". As pessoas precisam errar, precisam aprender também. Mas se algo for realmente importante, é bom você ficar de olho, dando suporte.

Bom! No final, saiba que você é mais forte do que imagina. Supere-se. Sobreviva! Os problemas que derem pra resolver, a gente resolve; os outros, vamos dando um jeitinho. 

Na roça, você não tem acesso fácil a lojas de materiais de construção, por isso, o improviso é o mais comum. Quer um banco? Faz um. Quer uma cerca? Faça a sua. É aquele esquema de fazer com as próprias mãos. Dar duro. Suar a camisa. É incrível o que se pode fazer um pouco de madeira, alguns pregos e um bom machado. A vida também nos exige improvisos, e como diz um amigo "vai trabalhar, viado!".

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