Pular para o conteúdo principal

Feijãozinho

Às vezes, eu penso que a vida é grande teste de paciência ou sei-lá-o-quê. Desde que comecei este blog tenho me sentido mais aliviado.  Outro dia fui ao shopping e esqueci de comprar incenso, mas também, eu fui pra resolver outros problemas. Não, não fui passear, nem frequentar a praça de alimentação. Detesto shopping. Eu poderia citar vários motivos, mas os cheiros misturados à essência do capitalismo, toda aquela gente andando pra uma lado e pra outro com sacolas de compras, tudo isso me deixa com vertigens.
 
Chegando em casa, desativei minha conta no Facebook. Devia ter sido a milésima vez que fazia isso. Acendi um último incenso. Aliás, o melhor incenso que já comprei, valeu cada centavo. Uma pena eu nunca mais tê-lo encontrado. Botei o feijão no fogo. Sentei-me à mesa. Abri um editor de texto e comecei a escrever "2016 foi um ano difícil, e como tudo que é difícil, endurece a gente, nos torna mais fortes e resistentes". 

Parece que a gente funciona como uma panela de pressão, daquelas que você fica com medo de explodir. E isso pode acontecer por colocar muita água ou pouca água. Tem que ser na medida certa. Mas não explode sem dar sinais, quando isso esta prestes a acontecer, você ouve o apito da válvula, a água começa a esburrar pelas frestas e é um deus-nos-acuda. Quem é experiente logo percebe e já vai logo dando um jeito de desligar o fogo. Os mais corajosos pegam a panela e a colocam embaixo da torneira.

No momento certo, abrem a tampa e tem um delicioso feijão. De repente você está no momento certo, mas no lugar errado. Ou fazendo a coisa certa, no momento errado. Ou fazendo errado, no lugar certo. E agora? Quem poderá te defender? Ninguém além de você mesmo. Aí a mão de ligar pra aquele "amigo-mãe" coça. A gente tem uma válvula de segurança, igual da panela de pressão. A minha é blogar ou uma boa corrida. Meu feijão tá pronto, meu Facebook reativado e meu incenso acabou. O jeito é prosseguir neste grande teste de sei-lá-o-quê que é a vida.

Postagens mais visitadas deste blog

Aquela Sobre Aquela Do Verão

Todo ano, tenho que contar nos dedos quanto tempo faz que minha mãe morreu. Daqui há alguns dias já faz seis anos. Achei engraçado reler um texto em que relatava os acontecimentos do dia em que ela se foi. Não lembrava mais dos detalhes. Aos poucos, um borrão branco vai sendo criado no lugar das lembranças. Pensando bem, foi até uma boa ter escrito aquele texto.

De fato, muita coisa mudou. Não julgo ser ruim, é algo natural da vida. Tudo muda, as músicas, a política, a cultura, as tecnologias, e principalmente as pessoas mudam. O verão veio e foi diferente também. Comecei em uma nova casa, longe o suficiente para não pirar com as pessoas tentando me reconfortar, mas não tão longe a ponto de estar longe da família e amigos.
Acreditei que poderia passar o resto da vida comendo fast-food, mas logo percebi que não dava. Morando em uma espécie de república, aprendi a cozinhar com os outros moradores. Comecei com arroz, depois veio o feijão, que me dava um pouco de medo, por causa da panel…

No Embalo da Cocaína

(Imagem: Arquivo Pessoal)
Eu sempre gostei de acordar tarde, mas, infelizmente, eu quase sempre estudei de manhã. No primeiro ano do ensino médio, eu pude estudar à tarde. Era uma manhã comum, eu dormia na parte de cima de uma beliche. Acordei ouvindo uma discussão. Era minha mãe dando uma bronca no meu irmão, perguntando o porquê dele ter feito aquilo. Meu irmão dizia que estava trazendo droga pra cidade, daí ele viu a polícia e jogou tudo num rio.

Um Dia de Artista

(Foto: TV Globo/Programa do Jô
Um das coisas mais legais que eu já fiz na vida... foi ter ido ao Programa do Jô, com Glecy Coutinho como entrevistada, é claro! A ideia surgiu da própria Glecy, no final de 2012. Lembro-me que estávamos encerrando nossas atividades na Secretaria de Cultura, organizando prestação de contas, quando Glecy falou que gostaria de participar do Programa do Jô. Glecy é Glecy!
Uns quatro meses, depois de enviado o texto, eles me ligam. Eu estava na faculdade e fiquei sem reação, não acreditava que isso aconteceria tão rápido. Depois de vários emails trocados, enviaram as passagens pra gente, eu fui de acompanhante. Foi a primeira vez que andei de avião. Todo mundo olhou pra gente, quando nos aproximamos do cara com a plaquinha da Globo. Éramos artistas. Bom, Glecy já era fazia tempo.