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A Closeira do Maternal

Era mais um domingo e, como todo domingo, íamos à casa da minha avó. Ela fazia doces maravilhosos, entre eles o meu favorito que era cocada. Um ritual de infância, eu tinha meus 3 ou 4 anos. Lembro-me que nessa época comecei a frequentar o maternal. Logo no primeiro dia, eu fui super empolgado, de mãos dadas com mamãe, até o portão da escolinha. De repente, ela solta minha mão e fala pra eu entrar. Não só falou, como também me obrigou!

Naquele momento, eu percebi que teria que me virar sozinho. Não fiquei nem um pouco feliz. Colocaram-nos num refeitório, sentados à mesa. Deram-nos uma bola, dessas de soprar, pra ficar segurando. As crianças seguraram as bolas, meio que sem saber o que tava acontecendo. Nessa altura eu já estava chorando rios e cachoeiras. Quando me entregam minha bola eu já fui logo estourando. Olhei para o lado e estourei a bola do colega. Olhei para o outro para estourar a dele também, mas já tentavam me conter.

Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
7
(meu gato passando no teclado)

Pensei comigo “como essas crianças podem se contentar com uma bola, enquanto estamos longe de nossas mães?”. O fato é que tivemos que nos adaptar. Eu fico feliz de ter gritado, esperneado, de não ter aceitado aquela separação calado e de não ter sido comprado com uma mísera bola. As tias preparam tudo com tanto carinho, um mural colorido, com um palhacinho feliz dando boas-vindas. Meio estranho porque a gente ainda não sabia ler. E eu sendo a criança chorona que estragava o rolê.

A gente tem que aprender a conviver sem as pessoas que amamos por perto. Chegamos a dizer que se fulano morrer, morreremos junto, mas não, não morreremos. E é incrível que durante alguns momentos, nem que sejam segundos, a gente nem se quer lembra que aquela pessoa existiu algum dia. Diante disso, eu me pergunto se todo aquele escândalo que fiz no primeiro dia de aula fez alguma diferença, porque um dia você vai sair da escolinha e ninguém vai estar te esperando no portão.

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