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Homens Nunca Serão Feministas

Outro dia, conversando com uma amiga na mesa de um bar, entramos no assunto feminismo, em que muitas informações incoerentes são propagadas por mídias digitais afora, como o fato de feministas não se depilarem ou usarem o cabelo curto. Ora, se o feminismo veio para libertar as mulheres, elas que decidam se querem se depilar ou não, se querem cortar seu cabelo, usar saia, vestido ou roupa curta. Parece bem óbvio e até ridículo ter que explicar isso, mas a quantidade de piadas e de gente propagando estes rótulos é absurdamente alta.


Acredita-se que o patriarcado tenha se iniciado no período Neolítico (entre 12 mil e 4 mil a.C.), o que nos faz perceber como o machismo esta enraizado, presente desde a formação da nossa sociedade. A luta pelos direitos das mulheres, de igualdade em relação ao homem, que ganhou força nas última décadas é demasiadamente recente. Práticas machistas já estão inclusas em nosso cotidiano desde nosso nascimento, e são consideradas normais. Piadas. Abusos. Estupros. Culpabilização da vítima. Marginalização. Moralismo. Fica claro que o binarismo de gênero, masculino e feminino, é uma ferramenta para deixar a mulher subordinada ao homem.

E a igualdade de direitos acaba sendo uma faca de dois gumes, pois a mulher não está sujeita às mesmas condições sociais, políticas e econômicas que o homem. Um exemplo disso é quando a mulher é colocada em igualdade com homem, como na atual reforma da previdência. Talvez a palavra certa fosse Equidade. Tratar o diferente de forma diferente. Pois para nós, homens, é bem cômodo a posição em que estamos. Apesar de, na condição de homossexual, sofrer com o machismo, a forma é sutil se comparada com uma mulher. E o problema só vai aumentado se é mulher trans, lésbica, travesti...


Apesar de mulheres se declararem contra o feminismo, o machismo nunca às beneficiarão. Ao contrário do homem. Portanto, a opinião de "certo" ou "errado" vinda de um homem, sobre o feminismo, é totalmente dispensável, uma vez que ele não é o protagonista do movimento. Somos doutrinados a não receber ordens de mulheres, de não encará-las como sinônimo de inteligência, coragem ou força. Já percebeu que ninguém fala "haja como uma mulher", "delicado como um moço" ou "isso é coisa de homenzinho"?

Investir em políticas públicas que permitam o empoderamento da mulher, equidade de direitos, ampliando sua participação em todos os setores da sociedade, garantindo sua segurança, protagonismo nos debates e fomentando ações que permitam sua independência, no meu ponto de vista, são ações que urgem de serem priorizadas e consolidadas pelo Poder Público. Aos homens não cabe "ser feminista" e nem deter o protagonismo do movimento. Aos que querem apoiar, como recomendado por uma amiga feminista, o primeiro passo: ouvir. Apenas ouvir.

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