Pular para o conteúdo principal

Piquenique das Cores e o Medo do Novo

Recentemente, fui pego de surpresa pela repercussão de uma simples atividade, um piquenique. Não sei ao certo o que as pessoas que criticaram pensaram sobre a atividade, mas houve uma grande resistência, o que provocou manifestações de ódio e apoio. O tema do piquenique é a luta contra LGBTfobia e pela visibilidade LGBT, uma pauta da juventude e dever do Poder Público, e que compõe a II Quinzena Estadual de Combate à LGBTfobia.


Antes mesmo de nascer, o médico já define nosso sexo,  segundo nossa genitália, recebemos um nome e, desde então, somos moldados conforme os costumes da nossa família e sociedade. Poderíamos viver tranquilamente o resto da vida, acreditando ser o que nos ensinaram a ser. Entretanto, algumas pessoas fogem do condicionamento e passam a duvidar de sua identidade, de sua construção social, e o conceito de "certo" e "errado", sobre seu corpo e sexualidade, cai por terra.

Todas essas mudanças causam desconforto, pois nos tiram da zona segura em que nossos sonhos, valores, sexualidade, gostos e comportamento foram moldados. Somos colocados à prova, sofremos diversos ataques, a vontade de desistir aumenta e questionamos se nossa luta vale mesmo a pena. De outro lado, somos confrontados com o sentimento de resistência e responsabilidade pelo coletivo. O novo causa medo, mas alguém tem que dar o primeiro passo.

O Piquenique das Cores será realizado no próximo dia 28, promovido pela Prefeitura Municipal de João Neiva (PMJN), por meio da Secretaria de Cultura, Turismo e Juventude (SEMUC), em parceria com o Grupo Cores, ES Cineclube Diversidade e Fórum LGBT Espírito Santo. O evento será realizado na Praça do Gadioli, a partir das 15 horas, com entrada franca.

EDIT:

Postagens mais visitadas deste blog

Aquela Sobre Aquela Do Verão

Todo ano, tenho que contar nos dedos quanto tempo faz que minha mãe morreu. Daqui há alguns dias já faz seis anos. Achei engraçado reler um texto em que relatava os acontecimentos do dia em que ela se foi. Não lembrava mais dos detalhes. Aos poucos, um borrão branco vai sendo criado no lugar das lembranças. Pensando bem, foi até uma boa ter escrito aquele texto.

De fato, muita coisa mudou. Não julgo ser ruim, é algo natural da vida. Tudo muda, as músicas, a política, a cultura, as tecnologias, e principalmente as pessoas mudam. O verão veio e foi diferente também. Comecei em uma nova casa, longe o suficiente para não pirar com as pessoas tentando me reconfortar, mas não tão longe a ponto de estar longe da família e amigos.
Acreditei que poderia passar o resto da vida comendo fast-food, mas logo percebi que não dava. Morando em uma espécie de república, aprendi a cozinhar com os outros moradores. Comecei com arroz, depois veio o feijão, que me dava um pouco de medo, por causa da panel…

Risqué

Desde que comecei a usar brincos, pintar minhas unhas, passar batom e me apropriar de tudo que é considerado feminino, algo estranho aconteceu. Eu acabei descobrindo minha masculinidade. Claro que quando falo de masculino e feminino, digo na forma padrão, como a sociedade constrói em nossas mentes. Um mulher de cabelos longos, maquiada, magra, de vestido ou saia, roupas rosa e feminina. Embora não seja este tipo de mensagem que quero passar, experimentar esta forma tornou-se importante para mim, contrapondo o padrão masculino em que fui construído.
("A beleza da diversidade" de Lisandra Mendes)
Desde pequeno, sou condicionado a não ser afeminado. Passei pelo bullying em família, na escola, faculdade, no grupo de amigos e, enfim, decidi “cagar” pra tudo isso. Não é algo fácil e nem tão simples. O que chamamos de “desconstrução” é um processo lento e delicado. Mas ele nos permite questionar coisas que nos foram impostas. Daí nasce a oportunidade de se apropriar do que antes e…

No Embalo da Cocaína

(Imagem: Arquivo Pessoal)
Eu sempre gostei de acordar tarde, mas, infelizmente, eu quase sempre estudei de manhã. No primeiro ano do ensino médio, eu pude estudar à tarde. Era uma manhã comum, eu dormia na parte de cima de uma beliche. Acordei ouvindo uma discussão. Era minha mãe dando uma bronca no meu irmão, perguntando o porquê dele ter feito aquilo. Meu irmão dizia que estava trazendo droga pra cidade, daí ele viu a polícia e jogou tudo num rio.