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Eu Queria Ser Um Monstro

Há um ano, uma amiga me oferecia batom e eu não aceitava. Eu disse “não, obrigado”. Não era um simples “não” de quando te oferecem vodca, sendo que você não bebe, ou quando você “dá um fora” em alguém nada interessante na balada. Foi um “não” seguido de um “por quê não?” que ecoava mentalmente pelos dias seguintes.

Logo quando tive que morar sozinho, houve mudanças. Não só mudanças físicas, como também psicológicas. Passei a comer praticamente de tudo. A ouvir outros estilos musicais. Experimentar, beijar, chupar, tocar, engolir, gritar, soprar, raspar, esfregar, vomitar, perder o fôlego, cair, levantar, apoiar, cantar, gravar, filmar, pausar e silenciar.

(Fotografia: Lisandra Mendes - "A Beleza da Diversidade", 2017)

Ao poucos, fui me permitindo mudar, usar batom, pintar as unhas e a comprar roupas consideradas femininas. Eu faço isso porque eu acredito que as coisas não deveriam ser separadas dessa forma. Quero ter a liberdade de experimentar e descobrir quem eu sou. Eu também gosto de ver a cara de espanto das pessoas quando me veem usando batom. Por que somos ensinados, mesmo que implicitamente, a odiar o feminino?

Durante um tempo, eu me senti um monstro, como no filme “Eu queria ser um monstro”, de Marão, ou meio um Frankenstein, não por ser um antagonista, embora eu os considere injustiçados, mas por não se adaptarem ao meio em que vivem. São estranhos. É uma saga de autoconhecimento. Sem culpa. Sem remorso. Sem pecado.

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Viver ou Morrer? Tanto Faz!

Não sei se todo mundo faz isso, mas eu me questiono quase que diariamente que motivos eu tenho pra continuar vivendo. Depois de ver 13 Reasons Why, essa prática se mostrou ainda mais importante, pois põe em discussão a questão do suicídio. Praticamente não ouvimos falar sobre este assunto, não se mostram reportagens e nem as pessoas que o comentem na TV, jornal ou internet. Mas o que eu gostaria de falar não é exatamente sobre suicídio. 
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Um Dia de Artista

(Foto: TV Globo/Programa do Jô
Um das coisas mais legais que eu já fiz na vida... foi ter ido ao Programa do Jô, com Glecy Coutinho como entrevistada, é claro! A ideia surgiu da própria Glecy, no final de 2012. Lembro-me que estávamos encerrando nossas atividades na Secretaria de Cultura, organizando prestação de contas, quando Glecy falou que gostaria de participar do Programa do Jô. Glecy é Glecy!
Uns quatro meses, depois de enviado o texto, eles me ligam. Eu estava na faculdade e fiquei sem reação, não acreditava que isso aconteceria tão rápido. Depois de vários emails trocados, enviaram as passagens pra gente, eu fui de acompanhante. Foi a primeira vez que andei de avião. Todo mundo olhou pra gente, quando nos aproximamos do cara com a plaquinha da Globo. Éramos artistas. Bom, Glecy já era fazia tempo.

Depois das 18h

Aquele momento de autopiedade quando você precisa de um carinho, um abraço. Se desse pra voltar no tempo, voltar a ser criança. Quando, numa queda, você começava a chorar e corria gritando “mamãe!”. Então, ela te abraçaria, passaria um remédio laranja que ardia, e ficaria tudo bem. Em meia hora, já estaria correndo novamente. Mas a vida adulta não é assim. As pessoas te machucam e você não tem pra onde correr.

Você tem que sair muito cedo para o trabalho e chega em casa muito tarde. Por mais cansativo que tenha sido seu dia, ninguém vai te perguntar como ele foi. Você abre a porta, coloca comida pro seu gato, tira a roupa, toma um banho. Talvez tenha energia pra cozinhar ou talvez só coma um sanduíche. Ligar o computador, ler e-mails, responder mensagens. Tudo online e à distância.
Percebe que uma ou duas plantas morreram. Será que foi falta de água? Ou será que foi água demais? Talvez faltou adubo. Ou talvez faltou podá-la. Isso mesmo. Pra crescer mais, ficar mais forte ou dar mais …