Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Julho, 2017

Expediente

Agência cheia, todos nos seus lugares, menos ele. Na mesa uma foto de Berlim. Fez a cobertura durante uma semana de um festival de pipas. Nos primeiros 4 dias ficou em um hotel de luxo, oferecido pelo festival. Nos outros dias, ficou numa espelunca bancada pela agência. Nem conexão com a internet tinha. Todo dia era a mesma coisa, metrô lotado, trem lotado, ônibus lotado. Só comia fast-food. Às vezes, não comia. Sentia-se magro demais. Culpa do restaurante novo, comida barata e nada saudável. Sua mãe dizia que aquilo era comida de cadeia.


Uma ligação. Sua avó tinha morrido. Pro interior, em um ônibus mais confortável, sua cabeça parecia se desprender. Um flash. Quando descobriu sua sexualidade, ela tinha sido a primeira a saber. Deu apoio e não contou pra ninguém da família. Família de descendência alemã. Porém nada Frei (livre). O celular vibrou, uma mensagem "se cuida, amor". Reclinou o assento, olhou pro céu, tornou-se imenso.

Poucos de preto, nada de filme americano. O si…

O Caso dos Limões

Estou aqui procurando uma sacola de lixo, preciso jogar fora esses limões. Eu poderia ter usado eles semana passada, quando uns amigos vieram aqui em casa. Poderíamos ter feito alguns drinks. Mas eu achei melhor guardar pra uma ocasião especial, afinal são mais caros que os sicilianos. Agora estão secos, apodrecidos e sem utilidade nenhuma. Talvez ainda sirvam como adubo, talvez eu os jogue no quintal.
("A beleza da diversidade" de Lisandra Mendes)
Quando eu penso em quintal, eu lembro daquela casa, de quando eu tinha 13 anos. Tinha um grande quintal e tínhamos um pé de acerola. Tinha cachorro, tinha céu estrelado, quando eu conseguia dormir com a janela aberta. Quando acreditava na bondade das pessoas e não tinha medo da maldade do mundo. O que resta agora? Viver trancafiado em um apartamento? Parece que quanto mais a gente cresce, mais sem graça vai ficando a vida.
Vivemos como se fossemos imortais. Desperdiçando nossos dias com coisas tão pequenas. Ou talvez sonhando tão…

Redescobrir

Claro que eu gostaria que não existissem gêneros, porém ignorá-los significa desconsiderar as desigualdades (sociais, econômicas, políticas, entre outras) que existem entre eles. É notório que, na sociedade, a mulher sempre está em desvantagem em relação ao homem. Quando você nasce e um médico já define o seu sexo, você é ensinado a ser um homem ou mulher. Se for menina, já sai do hospital com orelha furada e um enxoval rosa.

Como a gente vive numa sociedade cheia de regras e imposições, que ditam um comportamento masculino e outro feminino, eu sou “obrigado” a definir um certo comportamento ou objeto como sendo do universo masculino ou feminino. Como eu disse, eu gostaria que não houvesse essa separação, mas infelizmente há.
O que eu proponho, não é necessariamente redescobrir meu gênero ou sexualidade. Quero justamente dizer que qualquer homem cis ou não, heterossexual ou não, pode fazer o mesmo, sem que isso afete a forma como ele se vê ou se relacione afetivamente e sexualmente com…

Risqué

Desde que comecei a usar brincos, pintar minhas unhas, passar batom e me apropriar de tudo que é considerado feminino, algo estranho aconteceu. Eu acabei descobrindo minha masculinidade. Claro que quando falo de masculino e feminino, digo na forma padrão, como a sociedade constrói em nossas mentes. Um mulher de cabelos longos, maquiada, magra, de vestido ou saia, roupas rosa e feminina. Embora não seja este tipo de mensagem que quero passar, experimentar esta forma tornou-se importante para mim, contrapondo o padrão masculino em que fui construído.
("A beleza da diversidade" de Lisandra Mendes)
Desde pequeno, sou condicionado a não ser afeminado. Passei pelo bullying em família, na escola, faculdade, no grupo de amigos e, enfim, decidi “cagar” pra tudo isso. Não é algo fácil e nem tão simples. O que chamamos de “desconstrução” é um processo lento e delicado. Mas ele nos permite questionar coisas que nos foram impostas. Daí nasce a oportunidade de se apropriar do que antes e…