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O Caso dos Limões

Estou aqui procurando uma sacola de lixo, preciso jogar fora esses limões. Eu poderia ter usado eles semana passada, quando uns amigos vieram aqui em casa. Poderíamos ter feito alguns drinks. Mas eu achei melhor guardar pra uma ocasião especial, afinal são mais caros que os sicilianos. Agora estão secos, apodrecidos e sem utilidade nenhuma. Talvez ainda sirvam como adubo, talvez eu os jogue no quintal.

("A beleza da diversidade" de Lisandra Mendes)

Quando eu penso em quintal, eu lembro daquela casa, de quando eu tinha 13 anos. Tinha um grande quintal e tínhamos um pé de acerola. Tinha cachorro, tinha céu estrelado, quando eu conseguia dormir com a janela aberta. Quando acreditava na bondade das pessoas e não tinha medo da maldade do mundo. O que resta agora? Viver trancafiado em um apartamento? Parece que quanto mais a gente cresce, mais sem graça vai ficando a vida.

Vivemos como se fossemos imortais. Desperdiçando nossos dias com coisas tão pequenas. Ou talvez sonhando tão alto que nem percebemos que o agora é o mais importante. Falando assim parece frase de efeito, daquelas que costumam colocar de legenda, em uma foto aleatória. São coisas que você só percebe quando é tarde demais. É melhor que guarde seus limões, mas não por muito tempo.

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Viver ou Morrer? Tanto Faz!

Não sei se todo mundo faz isso, mas eu me questiono quase que diariamente que motivos eu tenho pra continuar vivendo. Depois de ver 13 Reasons Why, essa prática se mostrou ainda mais importante, pois põe em discussão a questão do suicídio. Praticamente não ouvimos falar sobre este assunto, não se mostram reportagens e nem as pessoas que o comentem na TV, jornal ou internet. Mas o que eu gostaria de falar não é exatamente sobre suicídio. 
Em 2009, eu fazia curso técnico de manhã e terceiro ano à noite. Era uma sexta-feira, eu deveria estar estudando, mas naquele dia não houve aula, então fiquei feliz por poder dormir até tarde. Mas eu acordei cedo, era a polícia. Arma apontada pra minha cabeça. Eu não sabia direito que tava acontecendo, porque eu demoro algum tempo pra “acordar” de fato. Mas a polícia já tava dentro de casa.
Eu sentei no sofá enquanto eles vasculhavam minha casa, minhas coisas. Gavetas, roupeiro, cama, armários, geladeira, enfim, tudo. Eu não sabia o que eles queriam …

Um Dia de Artista

(Foto: TV Globo/Programa do Jô
Um das coisas mais legais que eu já fiz na vida... foi ter ido ao Programa do Jô, com Glecy Coutinho como entrevistada, é claro! A ideia surgiu da própria Glecy, no final de 2012. Lembro-me que estávamos encerrando nossas atividades na Secretaria de Cultura, organizando prestação de contas, quando Glecy falou que gostaria de participar do Programa do Jô. Glecy é Glecy!
Uns quatro meses, depois de enviado o texto, eles me ligam. Eu estava na faculdade e fiquei sem reação, não acreditava que isso aconteceria tão rápido. Depois de vários emails trocados, enviaram as passagens pra gente, eu fui de acompanhante. Foi a primeira vez que andei de avião. Todo mundo olhou pra gente, quando nos aproximamos do cara com a plaquinha da Globo. Éramos artistas. Bom, Glecy já era fazia tempo.

Depois das 18h

Aquele momento de autopiedade quando você precisa de um carinho, um abraço. Se desse pra voltar no tempo, voltar a ser criança. Quando, numa queda, você começava a chorar e corria gritando “mamãe!”. Então, ela te abraçaria, passaria um remédio laranja que ardia, e ficaria tudo bem. Em meia hora, já estaria correndo novamente. Mas a vida adulta não é assim. As pessoas te machucam e você não tem pra onde correr.

Você tem que sair muito cedo para o trabalho e chega em casa muito tarde. Por mais cansativo que tenha sido seu dia, ninguém vai te perguntar como ele foi. Você abre a porta, coloca comida pro seu gato, tira a roupa, toma um banho. Talvez tenha energia pra cozinhar ou talvez só coma um sanduíche. Ligar o computador, ler e-mails, responder mensagens. Tudo online e à distância.
Percebe que uma ou duas plantas morreram. Será que foi falta de água? Ou será que foi água demais? Talvez faltou adubo. Ou talvez faltou podá-la. Isso mesmo. Pra crescer mais, ficar mais forte ou dar mais …