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Drogados, Pretos, Putas e Viados

Assim como muitas drogas são proibidas, no Brasil, precisamos lembrar que o álcool já foi proibido nos anos 20, nos EUA. O objetivo era acabar com a violência e a pobreza relacionada ao consumo excessivo de álcool. O resultado foi desastroso, criando uma verdadeira máfia do álcool, e, agora, damos o mesmo “murro em ponta de faca”. Fica claro que existe o interesse de uma minoria, que lucra milhões, com a produção e tráfico de drogas, em manter esta proibição, marginalizando seus usuários. Afinal, é muito mais fácil proibir o uso, condenar o usuário, do que resolver os problemas sociais que os levam a dependência.

Al Capone, gangster e traficante de bebidas alcoólicas durante a Lei Seca, nos anos 20, nos EUA, me contou que sempre foi contra a legalização e a favor da família.

Vivemos em uma sociedade hipócrita, em que as pessoas usam todo tipo de medicamento, consomem álcool até perder a consciência, fumam cigarros, charutos; só dormem com seu Rivotril, tomam calmantes que os deixam bem “chapados”; mas acham um absurdo alguém fumar maconha. No entanto, o debate é muito mais profundo, não é apenas uma questão de “fumar maconha”. É uma questão de saúde pública, devido seu benefício no tratamento de doenças e aplicação na indústria de roupas, calçados, óleos, tintas e sabão em pó, por exemplo. 


Tradução: Essa erva Deus que fez!

Como não existe legalização e regulamentação, não existe nenhum controle sobre o que se é vendido, os usuários ficam expostos à substâncias desconhecidas e a produtos de baixa qualidade. Além disso, é necessário realizar um trabalho de descriminalização, para quem for pego com pouca quantidade ser direcionado à tratamentos, em vez da cadeia. Os países que já legalizaram, como o Uruguai, alguns estados dos EUA e Israel, já podem sentir efeitos positivos da legalização, para fins terapêuticos e recreativos. Enquanto isso, os números de acidentes de trânsitos e mortes, aqui no Brasil, por motoristas que ingeriram álcool, é assustadora.


O Estado é composto por Governo e Administração Pública, uma vez que vivemos em um Estado Democrático de Direito, a vontade da maioria deveria prevalecer; mas na prática, os governantes atendem os interesse de uma minoria nobre, enquanto a maioria pobre “paga o pato. Exemplo disso foi o Golpe de 2016 e as Reformas da Previdência e Trabalhista. Será que a taxação das grandes fortunas se tornará realidade? Outro problema é em relação à criação das políticas públicas, que são de responsabilidade do Governo, e que, muitas vezes, as fazem sem ter nenhum diálogo direto com a população a ser atendida. E quem é responsável por executá-las é a Administração Pública que, é temporária, e, muitas vezes, não as executa plenamente ou simplesmente não as executa.

Homens decidem sobre o corpo das mulheres. Brancos julgam o que é ou não racismo contra os Negros. Como dizia Elza, “a carne mais barata do mercado é a carne Negra”. A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no país. Onde estão os protestos e escândalos, cadê o choque da sociedade? A indignação é seletiva. Ela tem cor. Pobre e negro é tratado como cracudo; branco de classe média, usuário de droga. O racismo é institucionalizado.



E o Estado que deveria ser laico possui fortes tendências às religiões católicas e protestantes, enquanto as de matrizes africanas são completamente ignoradas. Isto fica evidente quando se visita repartições públicas com símbolos religiosos de apenas uma determinada religião, ou quando o Estado determina que uma escola pública pode ensinar apenas um tipo de religião. A consequência disso é a intolerância religiosa, que ataca terreiros e centros espíritas.


O Brasil é o país mais transfóbico do mundo, e podemos relacionar isso à falta de informação e o preconceito; paralelamente, é o país que mais pesquisa por transexuais no Redtube. O falso moralismo, e a onda de conservadorismo, tem se potencializado nos últimos anos, fazendo ataques até mesmo à arte. Aqueles que detém o poder sabem do potencial transformador e revolucionário que a arte tem. Não é de se assustar que "eles" permitam que “qualquer um” ministre esta disciplina. 

Somos desestimulados a nos interessar e participar da vida política. Daí surgem os “mitos”, com soluções milagrosas e extremistas, corruptos com promessas de acabar com a corrupção, sem fundamento nenhum; mas que convencem uma parte da população, que não tem consciência de classe, e que acha que a violência vai se resolver com porte de arma, por exemplo. Contra todos os ataques à saúde, educação, retirada dos direitos dos trabalhadores, à saúde, e, principalmente, à democracia, seguimos, marginalizados, considerados putas e viados, sem Temer, estamos firmes e fortes!


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