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Depois das 18h

Aquele momento de autopiedade quando você precisa de um carinho, um abraço. Se desse pra voltar no tempo, voltar a ser criança. Quando, numa queda, você começava a chorar e corria gritando “mamãe!”. Então, ela te abraçaria, passaria um remédio laranja que ardia, e ficaria tudo bem. Em meia hora, já estaria correndo novamente. Mas a vida adulta não é assim. As pessoas te machucam e você não tem pra onde correr.


Você tem que sair muito cedo para o trabalho e chega em casa muito tarde. Por mais cansativo que tenha sido seu dia, ninguém vai te perguntar como ele foi. Você abre a porta, coloca comida pro seu gato, tira a roupa, toma um banho. Talvez tenha energia pra cozinhar ou talvez só coma um sanduíche. Ligar o computador, ler e-mails, responder mensagens. Tudo online e à distância.

Percebe que uma ou duas plantas morreram. Será que foi falta de água? Ou será que foi água demais? Talvez faltou adubo. Ou talvez faltou podá-la. Isso mesmo. Pra crescer mais, ficar mais forte ou dar mais frutos, às vezes, é preciso podar uma planta ou uma árvore. Acho que vida também poda a gente. Deve ajudar no nosso crescimento. Mas a dor machuca. Isto é óbvio. Ninguém quer sentir dor.

A vida fica mais leve na companhia dos amigos. Observo da janela do quarto à cidade. Nenhum carro na rua. Só o silêncio e a incerteza de mais um dia. Uma boa noite de sono, um café matinal. E as feridas, aos poucos, vão se cicatrizando. A gente não pode voltar no tempo, mas pode criar e viver novos momentos. Momentos felizes.

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